A corrida presidencial volta a aquecer e revela, a olhos vistos, uma oferta de candidaturas que preocupa pela falta de renovação: de um lado, um veterano político que pode chegar aos 85 anos ao fim do mandato; do outro, um “nepobaby” escolhido pelo pai. O Brasil precisa de alternativas que transcendam o personalismo e o prolongamento de dinastias partidárias.

Montagem com o presidente Lula e Flávio Bolsonaro (PL)
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Em visita ao Museu Reina Sofía, em Madri, chamou-me a atenção uma obra de Gutiérrez-Solana com a inscrição “Memento Mori” —lembra-te que és mortal—. Na Antiguidade, essa advertência servia para conter a húbris dos generais vitoriosos. Hoje, seria útil tê-la estampada sobre as mesas dos políticos.
O cenário eleitoral brasileiro, observado com alguma distância, causa estranheza. As principais opções que despontam nos dois grandes polos do país parecem repetir velhos modelos: continuidade de um líder carismático e o surgimento de um candidato que carregou o sobrenome desde a infância.
De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva. Figura política de enorme dimensão, com trajetória marcada por avanços sociais importantes —redução da pobreza, ampliação do acesso à educação e ascensão de milhões à classe média—, mas também por controvérsias e escândalos que não podem ser ignorados. Mesmo reconhecendo suas contribuições, é inegável que sua eventual reeleição significaria permanecer muito tempo no poder: caso vença, chegaria ao fim de um quarto mandato já com idade avançada, situação que suscita dúvidas sobre renovação e vigor político.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro, pré-candidato e figura bem posicionada nas pesquisas, cuja candidatura foi confirmada publicamente como escolha do pai, Jair Bolsonaro. A sucessão familiar remete a práticas monárquicas e reforça a crítica ao nepotismo político: o sobrenome torna-se capital central em vez de plataforma ou experiência própria. Flávio representa, para muitos, a perpetuação de um estilo político e o intento de manter viva a chama do bolsonarismo, inclusive com promessas que evocam a volta do pai ao protagonismo.
Ambas as opções revelam um problema estrutural: a carência de renovação real. O Brasil já deu provas de maturidade democrática em diversas frentes; por isso, é legítimo cobrar alternativas que tragam novas agendas, lideranças e propostas capazes de enfrentar os desafios contemporâneos sem depender excessivamente de lendas pessoais ou heranças familiares.
A advertência do “Memento Mori” vale para todas as lideranças: nenhum político é eterno, e a política saudável exige espaço para renovação, limites ao personalismo e pluralidade de vozes. O país merecia opções que inspirassem menos polarização e mais futuro coletivo.
Sugestão de foto
Montagem com fotos de Lula e Flávio Bolsonaro em trajes formais durante eventos públicos (crédito de agências), acompanhada de legenda que sintetize a contraposição entre veterania e sucessão familiar.
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Lula ou Flávio: por que o Brasil precisa de renovação política
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A corrida presidencial expõe uma oferta limitada de opções: um líder veterano e um candidato marcado pelo sobrenome. Reflexão sobre a necessidade de renovação e alternativas para a política brasileira.
Texto para redes sociais
A corrida presidencial revela um dilema: continuidade de um veterano político ou a ascensão de um ‘nepobaby’ escolhido pelo pai. O Brasil precisa de renovação —entenda por quê. (link)


