Um vídeo que circula nas redes sociais e foi gravado no Centro de Florianópolis mostra integrantes de um programa de segurança voluntária fazendo abordagens polêmicas a moradores de rua e outras pessoas na rua — cenas que geraram denúncias e agora são objeto de apuração pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Conhecida como “Voluntários Floripa”, a iniciativa foi criada pela prefeitura com a promessa de reforçar a segurança e apoiar atividades sociais. Apesar disso, as imagens mostram voluntários confrontando um homem em situação de rua, chegando a sugerir prisões — atitudes, segundo especialistas, que podem extrapolar as funções permitidas por lei, pois o grupo não tem poder de polícia.
A denúncia formal chegou ao MPSC após a viralização das imagens, e o órgão informou que iniciará a análise para verificar se houve usurpação de função pública ou outras irregularidades. O caso levantou debates sobre os limites da atuação de civis em atividades de segurança urbana, especialmente quando suas ações se aproximam de atribuições que, em regra, são exclusivas de forças oficiais.
Autoridades jurídicas ouvidas dizem que a criação de um corpo paralelo, sem prerrogativas legais claras, pode enfraquecer o controle do Estado sobre a segurança e abrir espaço para abusos, reacendendo discussões sobre como equilibrar participação comunitária e respeito às competências legais.
