O Brasil ocupa atualmente a terceira posição no ranking mundial de população de animais domésticos, com cerca de 168 milhões de pets, segundo levantamento da Euromonitor (2022). O crescimento desse universo e o fortalecimento do vínculo afetivo entre tutores e animais têm impulsionado um segmento específico: o mercado funerário pet.

(Foto: Divulgação)
Em Santa Catarina, o setor registra expansão com serviços que reproduzem rituais tradicionalmente destinados a humanos. As famílias têm buscado despedidas estruturadas, com velório de corpo presente, ambientação personalizada, exibição de vídeos em homenagem ao animal e momentos conduzidos por oradores.
De acordo com profissionais da área, esse tipo de cerimônia contribui para o reconhecimento e validação do luto, sentimento que muitas vezes ainda não encontra acolhimento social.
Rituais seguem protocolos e ampliam opções de personalização
As despedidas seguem procedimentos técnicos rigorosos. Após o preparo, o corpo do animal é acomodado em salas de memória, onde os tutores podem realizar o último adeus em ambiente reservado.
A cremação é a escolha predominante, mas o destino das cinzas tornou-se um dos principais diferenciais do setor. Entre as alternativas disponíveis estão urnas personalizadas, relicários e até a transformação das cinzas em diamantes sintéticos produzidos em laboratório.
O processo de síntese do diamante requer, em média, 300 gramas de material e pode levar de três a seis meses para ser concluído.
Segundo Mylena Cooper, diretora dos Crematórios Pet Vaticano em Santa Catarina e no Paraná, a procura por serviços mais completos vem crescendo ano após ano.
— Observamos uma tendência clara por despedidas dignas e respeitosas, que considerem a dimensão emocional da perda. Esses rituais ajudam os tutores a enfrentarem o luto de maneira mais saudável — afirma.
Para a especialista, o fortalecimento do vínculo entre humanos e animais nas últimas décadas explica o avanço do setor.
— O apego se intensificou e, quando o ciclo de vida desses companheiros chega ao fim, muitos tutores vivenciam uma dor semelhante à perda de um familiar — completa.
A expectativa é de que o mercado funerário pet continue em expansão em Santa Catarina, acompanhando a consolidação dos animais de estimação como membros efetivos das famílias brasileiras.


