Depoimentos contraditórios marcaram as investigações sobre a morte do cão Orelha, ocorrida na madrugada de 5 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. Informações reveladas em reportagem do programa Domingo Espetacular, da Record TV, apontam divergências entre o relato do adolescente investigado e o de uma jovem que afirma ter estado com ele naquela noite.

Segundo a apuração exibida pela NDTV Record, o adolescente sustenta que permaneceu em seu condomínio durante a madrugada. Já a amiga afirma que ambos saíram em direção à praia por cerca de 10 a 15 minutos antes de retornarem.
Durante o depoimento, ao ser questionado sobre deslocamentos, o jovem declarou não se lembrar de ter saído. A versão foi contestada diretamente pela testemunha, que afirmou: “Mentira. Mentira. Nesse momento a gente estava saindo do condomínio, fomos ficar na praia… a gente ficou lá mas foi bem pouco tempo”.
A defesa do adolescente, representada pelo advogado Alexandre Kale, afirmou que não houve intenção de omitir informações e que o investigado pode ter se confundido ao relatar datas e horários. O advogado também declarou que as provas seriam frágeis e inconsistentes.
Imagens e movimentações analisadas
De acordo com a investigação da Polícia Civil de Santa Catarina, imagens de câmeras de segurança mostram o cão deixando sua casinha por volta das 5h18 e caminhando em direção à praia, percorrendo aproximadamente 600 metros até a passarela do condomínio onde estava o adolescente.
Outra gravação, às 5h26, registra um grupo saindo do local em direção à praia, incluindo o investigado. A delegada responsável pelo caso afirmou que o jovem não permaneceu com o grupo durante todo o período, havendo momentos em que ele teria ficado desacompanhado.
Às 6h32, novas imagens mostram o animal caminhando lentamente, o que levanta a hipótese de que ele já estivesse ferido nesse momento.
A testemunha também relatou que o adolescente estaria emocionalmente abalado naquela madrugada após um término de relacionamento, chegando a chorar durante a conversa.
Atendimento veterinário e perícia
O atendimento ao animal foi realizado por um veterinário que apontou lesões compatíveis com agressão por objeto contundente. O cão não resistiu após receber sedação para tratamento.
O corpo foi enterrado por uma clínica da Capital, mas teve a exumação autorizada pela Justiça, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina, para elaboração de laudo pela Polícia Científica de Santa Catarina.
Outros elementos investigados
Entre os pontos analisados pela polícia estão conteúdos de celulares apreendidos, novas imagens de segurança e o depoimento de um porteiro que relatou comentários sobre jovens considerados arruaceiros na região da Praia Brava. Apesar disso, a testemunha afirmou não poder associar diretamente os adolescentes ao caso.
A investigação também apura o destino das roupas usadas pelo adolescente naquela madrugada e a possível relação de uma barra de ferro, cuja imagem circulou nas redes sociais, com o episódio — hipótese que ainda não foi confirmada.
A Polícia Civil informou que não divulgará novas informações até a conclusão do inquérito.


